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Críticas

Em "Vazio É o que não Falta, Miranda", o permissivo jogo com estímulos oriundos do universo beckttiano se torna possível a partir do sepultamento de "Esperando Godot", encenado pelas quatro atrizes sob as vistas do diretor, também em cena. A leitura de uma sinopse falseada da peça escrita em 1952 já aponta para a infidelidade adotada como conduta pelo Teatro Inominável. Uma vez que foi descartada a origem e o fim tampouco é pretendido, importam o meio e seus rizomas: o processo. Liberto da lógica positivista ou mercadológica, se "Miranda" atinge algo de sublime em seus desfoques, é por restituir à vida o valor da experiência e da imperfeição” – Luciana Romagnolli

Neste percurso com “Vazio, É o que Não falta, Miranda”, é o espectador que está representando os papéis de Vladimir e Estragon, não os artistas-criadores. Somos nós, público, que passamos ali “duas horas que não levam a lugar algum”, esperando uma obra perfeita, acabada, completa, com início, meio e fim, que nos faça algum sentido. Revivendo a espera. Enfim, “Esperando Godot” – Soraya Belusi

“Esse tipo de teatro performático, feito a partir da substância viva dos atores, não de fábulas, revelou grande potência também em Vazio É o Que Não Falta, Miranda, apresentado pelo Teatro Inominável no Fringe. O grupo carioca constrói diariamente o espetáculo aberto a absorver os humores do momento e as orientações feitas em cena pelo diretor Diogo Liberano. O vazio, o insignificante e o falho da vida se transformam em linguagem nessa que é uma das propostas mais ousadas vistas neste ano” – Luciana Romagnolli.

“O que o trabalho traz de novo não está no âmbito da carpintaria material e concreta. O que parece ser instigante é o modo como este esqueleto cênico singelo discursa sobre temas difíceis de serem problematizados, evidenciando a grande crise de alienação sofrida pelo teatro. Ou seja, Vazio é o que não falta, Miranda!” – João Cícero.

“A estética da peça está exatamente na metalinguística, no texto sobre o texto, no metateatro, no teatro na busca de entender o que é "fazer teatro"! O propósito de deslocamento do sentido do original de Beckett pareceu-me servir para explorar, sensivelmente, as agruras e as delícias da teatralidade, do ato de dirigir e atuar. Pela interpretação e questionamento do grupo, o próprio "teatro" transfigurou-se, para mim, em protagonista. Cada fala e movimento das excelentes atrizes, a indagação, a instabilidade da narrativa e a densidade da Direção fizeram derramar e transparecer a natureza de Miranda, do teatro” – Denise Mafra.

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